Na estrada: de Colón a Puerto Madrin
Este é o restaurante hospedaria Los Haroldos, o nosso espaço em Colón. Que tem um centro urbanizado com ruas pavimentadas mas as ruas da periferia ruas são de chão batido e levanta a poeira, principalmente no caminho da praia.
As praias na beira do Rio Uruguai são bastante frequentadas, mas desta vez não tivemos tempo de tomar banho porque chegamos ao entardecer. O restaurante ainda estava fechado e tivemos de bater e esperar um pouco até a proprietária que nos recebeu amavelmente. Porém a estrutura da hospedagem ainda estava sendo construída e tinha material de construção espalhado. O quarto, para seis pessoas e com ar-condicionado, estava em boas condições, e ficamos satisfeitos com um local para descansar. Como estávamos cansados, decidimos comer no próprio restaurante e não nos aventurarmos pela cidade de Colón
Descemos assim que abriu o restaurante e percebemos o ambiente rústico local. Um grupo de músicos começou a arrumar os instrumentos. Parece que vamos ter festa e começou a chegar mais gente. Fizemos os nossos pedido: milanesa com purê, um prato padrão na Argentina.
Nesse tempo, os músicos iniciaram a apresentação, com um violão, bumbo, dois músicos experientes e duas jovens meninas que cantavam é tocavam percussão. Apresentaram músicas tradicionais da região, semelhantes com a música gauchesca do Rio Grande do Sul, o chamamé, a chacareira, e letras que enalteciam as belezas do Pampa na Argentina e uma delas, composta pelas meninas, era sobre as Malvinas
A Isabella é Helena entraram na dança ficaram até mais tarde até o show acabar, enquanto os motoristas foram dormir mais cedo. Foi muito legal jantar num lugar bem familiar e assistir o show de música regional, entrando na alma da Argentina.
No segundo dia de viagem foi fácil arrumar as coisas, porque em vez de levar as malas grandes, levamos apenas o material de higiene e roupa para dormir em pequenas mochilas.
Hoje o nosso objetivo é Bahía Blanca e no dia seguinte vamos até Puerto Madryn. Pegamos a RN (Ruta Nacional) 14, depois a RN 12 (pista dupla, asfalto bom) até a ponte de Zárate e logo depois entramos na RP (Ruta Provincial) 6, contornando Buenos Aires. Neste trecho a estrada está feia, até a RN 3 em Cañuelas até Azul. Neste ponto a ruta 51 segue reto até Bahia blanca, enquanto a ruta 3 faz uma volta maior.
A polícia rodoviária da Argentina para constantemente os automóveis e por isso recomendo se informar muito bem sobre as particularidades para rodar na Argentina, como a necessidade do extintor de incêndio, dois triângulos, um cabo para puxar o carro em caso de necessidade, um estojo com itens para pronto-socorro e faixas reflexivas para carros maiores. Antes da viagem passamos no consulado, e eles nos deram um documento oficial com todos os requisitos para o carro andar na Argentina. Aconselho a fazer isto, pois em pesquisas na Internet se acha muita informação errada.
A Região Litoral se refere às Províncias que costeiam os rios Uruguai e Paraná da Argentina. Corrientes, Misiones, Entre Rios e províncias mais ao norte. A região de Corrientes tem um clima semelhante ao Rio Grande do Sul, com temperaturas amenas e um clima úmido, porém é menos desenvolvida, e a maior parte da terra não é utilizada para fins agrícolas e por isso não está entre as províncias mais ricas da Argentina.
Agora entramos na província Buenos Aires, com os campos de girassóis e gado. O objetivo dos girassóis não é enfeitar a estrada, mas são usados para a produção de óleo. Nesta época, as flores estavam bem desenvolvidas e se aproximava a época da colheita. Seguimos pela RN 3 até Azul, onde abastecemos. São muitos caminhões pela estrada, mas dá para ultrapassar nas longas retas. Outro ponto importante que esclarecemos as vacas não olham para o céu em Buenos Aires. Mas porque estariam? Existe uma “piada” : -Por que as vacas olham para o céu na Argentina?” –Porque têm Boi nos Aires! (risos)”
Quando vimos este caminhão, todo mundo disse que deve carregar batatas Pringles, mas na verdade ele era de uma cidade na chamada coronel Pringles, que fica na parte sul da Província de Buenos Aires. O tempo estava se fechando, e chovia em alguns pontos da paisagem. Depois da cidade de Azul (esse é realmente o nome da cidade), pegamos a RP 51 até Bahía Blanca.
Porém, um pouco mais para frente o tempo já estava abrindo e passamos por uma grande extensão de água, o Dique de las Piedras, já próximo a Bahía Blanca. A vegetação ficou mais arbustiva, o que reflete o clima mais seco da região e o solo arenoso também diminui a retenção da água nas camadas superficiais. Alugamos dois apartamentos na cidade, que é organizada e desenvolvida. No dia seguinte, fomos a uma casa de câmbio e trocamos mais dólares e conseguimos uma boa taxa, mas nos deram tudo em nota de 100 pesos e saí com um volume incômodo de dinheiro.
Terceiro dia, pegamos a Ruta 22 e depois a 251 para o sul. Esta é a RP251 através que segue pelo deserto da província de Rio Negro. Eu acho que esta foi a maior reta que eu já percorri na vida. Foram muitos quilômetros atravessando a estepe Argentina. Quando nos demos conta do tamanho da reta ficamos abismados, era reta até onde a vista não alcança. Esse foi um momento em que vimos uma fumaça ao fundo e não sabíamos se era um incêndio ou apenas o vento que levantava poeira. Depois vimos que se formava um pequeno tornado e concluímos que o vento levantava poeira por redemoinhos e provocam as nuvens de fumaça e se estendem por quilômetros no horizonte. Já estamos cansados da viagem, mas as placas indicam Puerto Madrid. Agora é só anda mais uma hora. A paisagem de um lado de outro é a savana, uma vegetação arbustiva com aparência seca que se estende ao largo. Depois da 251, voltamos para a RN 3, e vamos nela até Ushuaia, mas antes disto vem Puerto Madryn.
As placas “Las Malvinas son argentinas” se encontram por vários lugares do país à beira da estrada. É a marca de um orgulho ferido que se transforma em um ressentimento para unir o povo, mas na verdade elas lembram a impotência frente a um adversário mais forte. Para quem não sabe, a Argentina reivindica a posso de um conjunto de ilhas que é controlado pelo Reino Unido, chamadas ilhas Falklands. Em 1982, a Argentina invadiu as ilhas e o Reino Unido declarou guerra para restabelecer a posse. A superioridade bélica garantiu a vitória, que resultou na morte de 649 soltados argentinos, 255 britânicos e 3 civis. A derrota acelerou a saída do governo militar da Argentina.
Chegamos a Puerto Madryn ao entardecer. O Sol fraco ainda está sobre o horizonte, levemente acima da linha dos edifícios. Deu tempo de caminhar pela praia e pela feira da cidade, onde se veem artesanatos com pinguins, lobos marinhos, baleias, bolos galeses de Trelew e pedras semi-preciosas
Nossa casa em Puerto Madryn, que foi locada pelo airbnb. Nesse ponto da viagem, queríamos um lugar amplo para descansar tranquilo essas 2 noites. A casa era ampla, com 3 quartos uma suíte como uma sala e cozinhas espaçosas decoradas com bom Gosto. Junto com El Chaltén, foi a diária mais cara da nossa viagem.
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