Até a Fronteira - Saindo por Colón Dia 12 de janeiro de 2020 - Primeiro dia de férias, mas não era tempo para ficar parado e o atraso de mais de uma hora poderia cobrar caro para a viagem. Seriam cerca de 850 quilômetros no primeiro dia e o objetivo era chegar em Colón, na Argentina. Três pra cá, três pra lá. Márcio, Isabela e Helena na Parati e Francine, Davi e Melissa no Fox. A ideia era chegar em Rivera por volta do meio-dia, mas este prazo já tinha caído e acelerar na estrada não era algo que eu queria fazer. Fui de Parati na frente e saímos de Porto Alegre rumo ao oeste.  
Essa é a nossa rota do primeiro dia de ida, chegando em Colón. Nos dias seguintes prosseguimos parando em Bahía Blanca e depois, Puerto Madryn. Saímos de Porto Alegre pela BR-116 e pegamos a BR-290 depois de Guaíba, adentramos para o continente da América do Sul. Já tinha cruzado ano passado, quando tomamos um banho gelado nas águas do Pacífico. Cruzar o Pampa Gaúcho de carro tem os seus pequenos sustos. Os caminhões cheios de toras de madeira para a fábrica de celulose fazem tremer a estrada, mas era um domingo e o movimento era menor. Não choveu e conseguimos fazer uma boa puxada nesse primeiro dia, com todo mundo controlando o estômago e a bexiga. Cinco horas depois paramos no posto Santa Lúcia, um pouco antes de Rosário do Sul. Procuramos almoço, mas tinha somente sanduíches. Trocamos de estrada e pegamos a BR-158, em condições razoáveis, bem melhores do que o trecho da 290 entre Rosário e Uruguaiana, que tem muitos buracos.  
Um pouco depois das duas da tarde, chegamos a Rivera. A Francine foi na frente, e cruzamos a praça da fronteira entre Santana do Livramento e Rivera. As placas que até agora estavam em português agora estão em espanhol e em algum momento, eu deixei de ver o Fox e segui em frente, quando devia dobrar. Segui algumas quadras, tentando achar o Fox e caí na rua principal de Rivera. Pelo menos tinha um ponto de referência e sabia que as outras ruas podiam levar para ela. Hora de usar o rádio, antes de ficar fora de alcance. A Helena começou a chamar e não teve resposta. Continuamos chamando por mais um pouco e depois de um minuto, veio “onde vocês estão?”. Nome da rua, esquina e rapidamente nos encontramos.
Agora é hora de ficar em dia com a imigração, no lado do shopping de Rivera. Chegamos rapidamente. Os aplicativos on-line de roteiro deixaram de funcionar quando entramos um pouco no Uruguai, mas antes de sair baixamos um outro aplicativo (maps.me), que funciona off-line e usa o GPS. Chegamos ao Shopping, que estava cheio e a fila para entrar no Uruguai estava grande. Já tínhamos imaginado que as passagens poderiam ser lentas, mas esta fila superou a expectativa. Cerca de cinquenta pessoas esperando para entrar no Uruguai. Era hora de dividir as pessoas em dois grupos, e dividir os documentos. A nossa organizadora estava com tudo em cima. Para entrar no Uruguai, precisa da carteira de identidade de cada um, documento do automóvel e da carta verde, que é um seguro para terceiros. Um pouco de confusão para saber qual o primeiro guichê, que obviamente era aquele de fila maior. Depois de apresentar os documentos de cada um, é hora do carro, mas a fila estava menor e com todos os papéis e carimbos, era hora de seguir viagem. O shopping na frente era tentador, mas hoje ele escapou. O dinheiro estava reservado para outros fins.  
Em 2019, seguimos pela 290 até Uruguaiana, e era um buraco dentro de outro, passamos para a Argentina em Paso de Los Libres e viramos para o sul. Dizem que os policiais da província de Corrientes e Entre Rios importunam os viajantes, aplicando multas e pedindo propinas. Naquela viagem fomos parados, mas tomamos a precaução de pegar um documento oficial que detalha os requisitos para o carro andar na Argentina no Consulado da Argentina em Porto Alegre e quando dissemos isso para os guardas, fomos liberados. Já em 2020 resolvemos cruzar pelo Uruguai de Rivera a Paysandú. É um país plano e as florestas de eucalipto se estendem pelo caminho e assim aprendemos o que significa silvicultura. Afinal, não se estuda um dicionário por nada. Em algum ponto, passamos por uma estância Los Chapadones, e achamos que os bois dessa estância poderiam estar em outra dimensão. Depois de Tacuarembó passamos por um pequeno trecho de cerca de dois quilômetros de estrada sem a camada de asfalto, naquele ponto com piche e pedrinha. O interessante é que passamos na volta pela mesma estrada, e estava 100% asfalto novinho. Viva o Uruguai!. Depois de Tacuarembó seguem as coxilhas e o Uruguai se torna ainda mais vazio, de vez em quando aparece uma vaca na beira da estrada para contemplar a nossa passagem.  
Na estrada pagamos dois pedágios com pesos uruguaios, embora aceitem moeda do Brasil, Argentina e dólar. Passamos pela ponte do glorioso rio Uruguai, que nessa altura é ainda mais largo, por volta de seis e meia da tarde. Pagamos mais um pedágio na fronteira entre Uruguai e Argentina juntando os últimos pesos uruguaios. O sol estava ainda longe do horizonte quando entramos na Argentina. Fizemos os trâmites; carimbo, documento e tudo certo. Colón é praticamente na fronteira.   Essa foto não ficou grande coisa porque eu só ficava por detrás da placa mas dá pra ver bem vindos a República Argentina a placa ficava logo no fim da ponte a paisagem da beira do Rio Uruguai permanece a mesma árvores baixas e muitos arbustos em uma planície muito longa   Hora de abastecer o carro com gasolina barata da Argentina (60 pesos por litro, um pouco mais de 3 reais, enquanto que no Brasil estava acima de 4 reais). Aproveitamos e já trocamos os nossos primeiros 200 USD para pagar pedágio e comida. Tirei a foto e depois nos avisaram que não podia usar celular em posto de gasolina. A Francine acompanou o gasto e o consumo. Alguns postos da Argentina parecem decrépitos, mas as bandeiras maiores (YPF, Petrobras, Shell ) têm um padrão melhor.

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